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Morte é motivo de riso em cemitério romeno
Por Dina Kyriakidou
SAPANTA, Romênia (Reuters) - Os visitantes passeiam ao lado dos túmulos, apontam para os epitáfios, os lêem em voz alta e riem abertamente.
Mas nem mesmo uma família em lágrimas que está levando flores a um túmulo novo se ofende com isso, porque, no Cemitério Alegre de Sapanta, no norte da Romênia, a vida e a morte são comemoradas de maneira igual.
"Venham todos, eu lhes darei conhaque de ameixas, bebam deste copo para esquecer suas dores. Em lugar de enxergar um, enxergarão dois. Quando eu vivia, fazia conhaque forte. Foi assim que parti aos 54 anos", diz o epitáfio abaixo de uma cruz que mostra uma mulher ao lado de sua destilaria própria.
Centenas de cruzes de madeira decoradas em cores fortes marcam os túmulos de moradores de Sapanta desde que um escultor local deu início à tradição, em 1930.
Seu nome era Stan Ion Patras, morto em 1977. Ele esculpiu e pintou sua primeira cruz em 1935, com o rosto do morto reproduzido em cima e um poema abaixo.
Inspirado pelas histórias ouvidas sobre os mortos, Patras compunha versos sobre a vida ou morte de cada uma.
"Quando eu era jovem na aldeia, gostava de dançar ao som da rabeca. Mas então me casei e minha mulher não me deixou mais dançar", diz um poema.
As cruzes aparentemente aliviavam o sofrimento das famílias, e Patras foi recebendo cada vez mais encomendas, lotando o cemitério situado ao lado da igreja ortodoxa na pequena cidade de 5.000 habitantes.
Nas imagens das cruzes, um pastor cuida de suas ovelhas, um barbeiro corta cabelo, uma velha tece e uma mãe jovem alimenta seus filhos. Um veterinário e uma professora descansam ao lado de um madeireiro e um caçador.
TURISTAS
Desde que o cemitério foi descoberto por turistas, nos anos 1970, visitantes do mundo inteiro passaram a ir à região romena de Maramures, perto da fronteira com a Ucrânia, para conhecer o lugar.
Quando Patras morreu, seus pupilos levaram seu trabalho adiante. Hoje Dumitru Pop, a única pessoa a ainda fazer as cruzes, recebe encomendas de todo o mundo. Uma cruz nova leva duas semanas para ficar pronta e custa até 10 milhões de leus (300 dólares).
"Desde a queda do comunismo, em 1989, o número de turistas só faz aumentar. As pessoas da cidade se orgulham de que estranhos venham ler o que está escrito nos túmulos de seus pais", disse Pop.
A VERDADE PRECISA SER DITA
A próxima missão de Pop será criar um museu para expor mais de 100 cruzes velhas que ele vem guardando há anos, muitas delas feitas por Patras.
Pela tradição cristã ortodoxa, os túmulos com frequência são reutilizados por parentes, sendo as cruzes substituídas para indicar o morto mais recente a ocupar o local.
Pop diz que o elemento mais importante de uma cruz boa é a verdade: a vida do morto precisa ser mostrada com honestidade. "Se vejo uma pessoa bebendo o dia todo, eu o direi em sua cruz", explica.
A franqueza de algumas das cruzes é chocante. Um homem é mostrado com um cigarro na boca, segurando na mão uma garrafa do aguardente local, "tuica", e com um esqueleto preto aos pés.
Seu epitáfio diz: "A tuica é veneno puro, traz lágrimas e dor e trouxe a morte a meus pés. Quem gostar da tuica morrerá como eu. Porque eu a amava, morri com a tuica na mão."
Uma menina de 2 anos morta num acidente rodoviário é mostrada ao lado de sua casa, com um carro vindo em sua direção.
"Maldito seja aquele táxi de Tibiu, que, num país tão grande, teve que vir justo para nossa casa para me jogar ao chão", diz o texto da cruz.
Mas a maioria das cruzes mostra cenas do cotidiano das pessoas. Juntas, elas criam um retrato pitoresco da vida na pequena cidade.
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:: Enviado por E G Í P C I O HaTsEpSuT- 01:21:57 ::
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