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terça-feira, 18 de maio de 2004
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QUEM IA PARA O PARAÍSO DOS EGÍPCIOS
Os egípcios passavam a vida se preparando para morrer. Por um lado faziam oferendas aos seus deuses, aprendiam rituais que os fariam passar para o paraíso, se preparavam intensamente para o rito da passagem que ocorreria quando morressem. Por outro lado cultuavam Mâat. A deusa da justiça no mundo dos mortos e o conceito de agir correta e solidariamente durante todos os momentos e em todas as ações da vida mostravam o caminho que o egípcio deveria seguir para um dia poder passar para o paraíso.
Segundo Jan Assmann (1999), é num manuscrito do Reinado do Meio, em torno de 1700 AC. que podemos achar um verdadeiro tratado sobre Mâat. Chamado de "L'Oisien" , ou "O lamento do camponês", conta a história do confronto de um habitante de um oásis com o mundo sofisticado dos faraós. E tem um verso que clareia o conceito Mâat: " Não existe ontem para o preguiçoso, nem amigos para aquele que é surdo para a Mâat, nem dia de festa para o ávido". Na primeira frase o preguiçoso se perde no tempo. Na segunda o que não ouve, não escuta solidariamente, não tem solidariedade comunicativa, se perde nas relações sociais. Na terceira mostra a infelicidade da avareza, da avidez. Para o preguiçoso, o insensível e o ávido o camponês receita a solidariedade ativa, intencional, uma espécie de altruísmo seguindo uma prescrição consciente.
A cobiça, a avidez, é o polo oposto à solidariedade. Então, 3 coisas confrontam Mâat: a preguiça, a insensibilidade e a avidez. O mentiroso, segundo o oasiano, tem más viagens, se perde, quando fica rico não tem filhos para herdar sua terra. " Dar o pão ao faminto, vestes ao homem nú, um barco a quem não tem, um caixão a quem não tem filhos; dizer o bem, repetir o bem, jamais falar mal de um pessoa, julgar os litigantes à sua satisfação, salvar o miserável do poderoso", diz o habitante dos oásis. O correto é uma solidariedade total, de alto a baixo, uma ética de segurança e de proteção, que se acha na Bíblia e no Corão, e que é muito diferente da ética da razão, que necessita de uma solidariedade horizontal, uma aquisição intelectual mais recente.
Ao morrer o egípcio passava por um processo de justificação, ou seja, ele precisava ser declarado "justo", uma pessoa que tinha dito a verdade frente ao tribunal que decidia quem ia para o paraíso e para o inferno. Nos tempos mais antigos o justo triunfava, tinha então o direito e o poder de triunfar frente a seus adversários. Mas o conceito de julgamento dos mortos se desenvolveu para uma despersonalização, o indivíduo não se defrontava mais com adversários, e sim com a própria Mâat, na imagem da pesagem do coração do morto contra a pena de avestruz de Mâat. No Império Novo, em 1200 AC, no Paraíso não havia terror, querelas, as pessoas não conheciam mais a inimizade. Aos poucos, vai se juntando ao processo de justificação um conceito de imortalidade, que juntos lembram muito a tradição judaica-cristã. São Paulo, no Novo Testamento, escreve " O justo viverá e passará seu julgamento pela sua fé". Na verdade ele repete uma citação da profecia de Habacuc: " O justo viverá por sua fidelidade". Mâat não se referia a deus ou a nenhuma entidade transcendental, e sim a ela própria. O egípcio não precisava amar a Deus, e sim ser amado pelos outros. Não tinha que ganhar a confiança de Deus e sim dos outros. Confiança, constância, fidelidade, tinham a ver com a própria sociedade, enquanto que em Israel os justos passavam ao paraíso pela sua confiança em Deus. Esta constância fazia com que o egípcio tivesse só um lema, enquanto que o hebreu ou o grego tinham dois. Mâat incluía os conceitos de verdade-confiança-fidelidade-estabilidade por um lado e o de justiça pelo outro. Nunca para passar no julgamento o egípcio precisava da confiança em um deus, Ra ou Osíris, mas sim, ele precisava da confiança que ele próprio havia merecido pela sua solidariedade com os outros e sua solidez.
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ÍSIS E OSÍRIS
Seth governava toda a terra vermelha do Alto Egito. Nestas terras o antílope saltava e, meio a vegetação escassa, cães selvagens percorriam a areia fria sob o clarão da lua lua e javalis revolviam com o focinho, o chão entre as rochas. Ali os homens se agrupavam, banhando-se no sangue vermelho da caça, cobriam a cabeça com peles de animais e se escondiam das rajadas de areia. Seth casou-se com a sua irmã Neftis, mantendo a tradição iniciada pelos seus antecessores divinos. Mas Neftis não ficara satisfeita com o matrimônio, porque ela amava Osiris.
A raiva de Seth afastava-o cada vez mais do conforto da esposa. Ele deixava Néftis muito tempo sozinha. Todas as noites ela entrava furtivamente no jardim do palácio de Ísis e Osíris para ter o consolo de estar perto dos irmãos, para ouvir os belos cantos de Ísis.
A cada dia que passava, Néftis procurava tornar-se mais parecida com Ísis. Fazia pequenas tranças em seus cabelos perfurmava-os com óleo de Lótus e a pele com cinabre. Pediu à Heket, a deusa-rã, guardiã das transformações para que todos a confundissem com sua irmã.
Vestida como Ísis, chegou sozinha ao jardim do palácio onde sentou e chorou e bateu no peito. Foi ali que Osíris a encontrou, triste e bela. Confundindo-a com sua irmã e esposa, Osíris deitou-se com ela.
A barriga da deusa Néftis ficou dura e redonda, e para que Seth não desconfiasse de sua gravidez, ela se trancou no quarto e impedia que qualquer um viesse visita-la. Foi então que, certa noite sob a lua cheia, Néftis deixou o palácio e seguiu para o deserto. Lá, agachada entre as rochas, sozinha, em meio ao uivos dos lobos ela deu a luz a um menino. Não pôde, contudo, leva-lo para casa, temendo que Seth matasse a ambos. Assim, deixou o menino no deserto coberto apenas por um cobertor.
Pela manhã, ao trazer a bandeija com leite e frutas, a criada notou que a barriga de Néftis estava mole, não ouvindo choro de criança, pererbeu logo o que acontecera. Correu até o rio para avisar Ísis. Embora a criada não o dissesse, Ísis pôde ver a criança em seus olhos, e percebeu que era o filho de Osíris - o único filho de Osíris vivo.
Ísis chamou alguns galgos que, farejando, encontraram a criança. A deusa o banhou no rio e o protegeu com feitiços, levando-o para o palácio e criando-o como se fora seu próprio filho.
Como Ísis não tinha leite, deu a criança para um dos galgos femeas que acabara de dar à luz, para que esta o amamentasse. A criança, que fora chamada Anúbis ("o iniciador do dia"), cresceu forte e com instintos caninos.
A VINGANÇA DE SETH
Seth continuou remoendo sua raiva e passou boa parte do tempo no deserto reunindo sua tribo de 72 companheiros. Entre eles estava Aso, a rainha da Etiópia, uma bela feiticeira cujos poderes, dizia-se eram tão grandes quanto os de Ísis. Foi Aso que, em sonho, entrou no quarto de Ísis e Osíris e anotou as medidas exatas do corpo do deus-homem.
Nesta época Osíris providenciou uma grande festa em comemoração aos 28 anos de sua chegada ao Egito. Sabendo da festa, Seth elaborou um plano. Modelou uma bela caixa de cedro do tamanho e formato de um homem, revestiu-a com folhas de ouro e a enfeitou com pedras de turquesa.
Em meio à comemoração, chegou Seth e seus 72 companheiros vestidos com peles de animais, enquanto todos bebiam e dançavam no palácio, Seth trouxe seu presente e anunciou que, a caixa seria dada à quem coubesse deitado dentro dela. Os convidados provaram a caixa, um a um , mas nenhum dava o tamanho adequado, - Todos eram menores que a caixa - de maneira que chegou a vez de Osiris e ele sim, preenchia completamente o buraco da caixa, visto que Seth já a havia confeccionado com as medidas exatas obtidas por Aso.
Os 72 conspiradores correram em direção do esquife, fecharam a tampa e a pregaram; depois soldaram as beiradas com chumbo derretido. Osíris gritou e se debateu para sair, mas sem resultado. Depois lançaram o rei, em seu esquife, ao Nilo e o rio arrastou a caixa e a sua carga para o mar.
A BUSCA DE ÍSIS
Ísis saiu em perseguição do baú por vários meses e, suja e rasgada da dura jornada que a fez atravassar vários países, chegou finalmente a Biblos, na costa da Síria, onde se dizia que o esquife se desviara para a terra. Lá lhe contaram que, quando o caixão tocou a terra pela primeira vez, subitamente brotou uma tamargueira que prendeu em seu tronco a arca. Já dentreo do caixão, agora na árvore, Osíris estava duplamente aprisionado.
Ísis, então, foi a procura da árvore. Vários dias se passaram até que ela o encontrou e ali ficou em vigilha.
Por fim, Melcader, um rei sírio, e seu exército passaram por ali. O rei admirou tanto a altura e a largura e o vigor da árvore que decidiu por derruba-la e transforma-la em uma coluna central de seu palácio. De nada adiantaram os gritos de Ísis, os soldados do rei afastaram-na e derrubaram a árvore levando-a com eles.
Ísis, porém, seguiu o rastro do veículo e chegou, depois de caminhar por várias semanas, e por fim, chegou ao palácio. Quando Ísis viu a coluna central do palácio, ergeu suas longas asas e mostrou sua verdadeira face de deusa para o rei Melcader e a rainha Astarte.
Comovidos com a história que Ísis lhe contara e com o sofrimento que passara, os reis Melcader e Astarte derrubarama coluna e cortaram a madeira que envolvia o caixão. Em retribuição Ísis passou um tempo na casa dos reis para cuidar de seus filhos e lançar-lhes feitiços de proteção e de cura.
Os filhos e filhas do rei e da rainha siria tanto se apegaram a deusa que, quando ela partiu, o filho mais velho do casal real, Maneros, partiu com Ísis em sua longa jornada de volta ao Egito.
Depois de muito tempo no mar, finalmente o barco com Ísis chegou ao Egito (em Abidos, terra dos mortos). Maneros, filho mais velho de Melcader, não resistiu a viagem e morreu sem nunca pisar nas terras de Ísis, sua amada.
Abrindo o caixão, Ísis dançava e chorava lamentando a morte do irmão, do amado, do marido. Enquanto dançava e cantava seus cantos de amor, os grandes portões do Céu se abrirram, e as estrelas circulantes giraram tecendo um novo destino para Osíris, fazendo para ele uma nova coroa de rei.
Os deuses comovidos ressusitaram Osíris que deitou-se por mais uma noite com sua amada. Seu corpo, porém, ainda fraco pela morte sofrida, não era mais como antes e por isso Ísis escondeu o corpo fraco do irmão em um emanharado de rochas, um labirinto de pedras brancas. Então deixou-o ali apenas por uma noite e apressou-se em procurar Anúbis e Néftis para ajuda-la a Salvar Osíris.
Seth, senhor da noite e das trevas, caçava javalis por perto de Abidos sob a luz do luar. Armado de Arco e flechas e com sua inseparavél adaga, Seth aguçou a audição e farejou o vento. Setiu um odor familiar e foi conferir o que era e logo chegou ao local onde Osíris estava guardado.
Furioso o deus Seth golpeou, com sua adaga, várias vezes o corpo do irmão, separou a cabeça do corpo. Cortou fora os braços, as pernas e o pênis. Arrancou um por um os ossos das costas. Esquartejou o irmão como um animal morto e enfiou os pedaços num saco e atirou nas águas do Nilo.
Sentindo o cheiro da morte, Anúbis avisou Ísis e Néftis e, juntos, correram até o rio. Ali, nas margem do Nilo, em Abidos, as deusas avistaram a cabeça cortada de Osíris.
Ísis, no entanto, não estava disposta e entregar seu amadi irmão à morte mais uma vez, pois ela já sabia estar grávida e queria que Osíris também o soubesse. Numa caverna próxima, Ela Anúbis e Néftis esconderam a cabeça de Osíris e decidiram que, juntos, iriam percorrer todo o Nilo, desde o Alto Egito até o Mar, à procura dos pedaços do deus morto, para que pudessem faze-lo reviver novamente. Porém seria impossível reunir todas as partes do Corpo de Osíris. Um peixe, vendo o pênis do deus boiar sob as águas azuis do Nilo, abocanhou o órgão gerador de Osíris e mergulhou para o fundo do rio. Sobeck, o deus crocodilo, viu tudo, e para proteger as deusas na jornada infrutívera, seguiu a embarcação que era guiada por Anúbis. Em cada cidade onde eram encontradas partes de Osíris, eram erguidos grandes templos em sua homenagem, Assim Ísis protegia os fragmentos do marido e confundia Seth, pois esse acreditava que Ísis deixara os pedaços em algum lugar dentro dos templos.
Quando finalmente todas as partes de Osíris, exceto o falo, foram encontradas, Ísis, Néftis e Anúbis voltaram para Abidos. o deus Toth foi o único a ve-los deixar o barco e entrar na caverna onde jazia a cabeça de Osíris, ele, comovido, desceu até a Terra e juntou-se ao grupo na empreitada de ressuscitar o seu irmão, qual ele mesmo ajudou a nascer.
Como o peixe engolira o pênis de Osíris, Ísis fez outro de cedro e ouro, e dizendo palavras de poder, a deusa tentou ressuscita-lo. Não adiantou. Toth, o deus escriba, senhor da inteligencia, o deus lua, chamou Anúbis para ajudá-lo em sua tarefa: juntaram tiras de linho, encheram Osíris de flores e óleos, amarraram as tiras e ataram com cordões. Osíris fora aniquilado e agora duma vez. Osíris agora iria reinar o reino dos mortos e ali lutaria contra Apófis.
ÍSIS APRISIONADA
Certa manhã, quando Ísis e Néftis ofereciam pão ao Ka (a alma que cria e preserva a vida) de Osíris, foram capturadas pelos homens de Seth e amarradas como escravas. Seth levou Ísis para uma caverna escura e ali a trancou, ao seu lado colocou uma roca e novelos de linho, deu-lhe um cadável como marido e obrigou-a a trabalhar dia e noite, fiando e costurando, sem descanso. A lua no céu crescia e minguava, e a barriga de Ísis ficava cada dia mais redonda.
Toth, que também conhecia o tempo, começou a se preocupar com o aprisionamento da irmã e, com o propósito de liberta-la, enfiou sua esposa Seshat (deusa que registra o destino dos humanos) e Maát (deusa da verdade e justiça) disfarçadas de tecelãs. Num gesto abrirram passagem para vários escorpiões que, com suas tenazes cortaram as cordas que amarravam a deusa. Aqueles que tentaram detê-la, os escorpiões matavam com picadas fatais, os capagas de Seth morreram um a um cor a dor do veneno.
Ísis caminhou do planalto arenoso até o delta e caindo em meio a touceira de papiro foi parteira de si mesma. Nascia Hórus, o menino dourado, o deus falcão.
Com a presença devota da sua mãe, Hórus, foi educado no maior dos segredos, preparando-se com esmero e paciência. Porém, o sucessor do rei assassinado, ficou com Ísis apenas nos seus primeiros cinco anos de vida. Abendo que não podia ficar no Delta, pois Seth já sabia do nascimento de Hórus, Ísis, como mãe propetora, partiu para os confins do Egito deixando seu filho aos cuidados da deusa-naja Renenutet. Assim Seth nunca encontraria o filho de Osíris, pois chamais acreditaria que uma mãe tão devotada como Ísis deixaria seu filho aos cuidados que outra pessoa ou deus.
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DEUSES
Os deuses têm muito em comum com os homens: podem nascer, envelhecer, morrer: possuem um corpo que deve ser alimentado, um nome, sentimentos. No entanto, estes aspectos muito humanos escondem uma natureza excepcional: seu corpo, composto de matérias preciosas, é dotado de um poder de transformação, suas lágrimas podem dar nascimento a seres ou minerais. Os poderes dos deuses são sempre comparados a algumas propriedades dos elementos da natureza ou dos animais, o que dá lugar a representações híbridas às vezes espantosas.
Para representar os deuses, todas as combinações são possíveis: divindades totalmente humanas, deuses inteiramente animais, com corpo de homem e cabeça de animal, com o animal inteiro no lugar da cabeça (o escaravelho, por exemplo) ou com cabeça humana. A esfinge, imagem do deus-sol e do rei, é um leão com cabeça humana. Há animais comuns a muitas divindades (o falcão, o abutre, a leoa) e outros que são característicos de apenas uma (íbis de Thot, o escaravelho de Khepri).
Os egípcios mumificavam e enterravam seus animais domésticos. Sobretudo em uma data relativamente tardia, no decorrer do 1° milênio A.C. os egípcios sacrificavam animais para mumificá-los e amontoá-los aos milhares em cemitérios especiais. São, provavelmente, ex-votos que os devotos compraram dos sacerdotes para oferecer a seu deus seu animal preferido. O culto dos touros sagrados é muito mais antigo: um animal único torna-se uma manifestação terrestre do deus. Ele tem direito a um enterro com grandes pompas.

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O LIVRO DOS MORTOS
O Livro dos Mortos era uma coleção de feitiços, hinos e orações que pretendiam afiançar a passagem segura e curta do falecido ao outro mundo.
O pergaminho de Nevolen relata o transporte da alma até Osíris: um barco leva o esquife negro, que contém a múmia do defunto, e os canopus; Ísis está próxima à cabeça e Neftis dos pés da múmia, ambas vestidas de vermelho. Após Anúbis receber o ataúde, a alma se ergue e começa a adorar os quatros gênios do Oriente, as aves sagradas e Amon. Então, a alma é introduzida no Tribunal de Osíris.
O papiro de Nes-min mostra o que acontece com a alma após entrar no Tribunal de Osíris, o deus dos mortos, que determina o mérito do defunto para entrar na próxima vida, avaliando suas ações no plano terrestre.
O coração do defunto está sendo pesado na balança da deusa Maat, que representa a verdade e a justiça. O deus-chacal, Anúbis, dá um voto a favor do defunto, restabelecendo o equilíbrio, enquanto isso, o deus-falcão, Hórus olha para o deus-íbis Thoth, o secretário dos deuses, dando o veredicto favorável para o morto.
O defunto eleva suas mãos em júbilo, acompanhado pela deusa Maat. Em sua frente está Ammit, um monstro com partes de hipopótamo, crocodilo e leão, que o teria aniquilado caso o julgamento fosse desfavorável.
A alma do morto, ao comparecer ao Tribunal de Osíris, deveria recitar a seguinte oração para cada um dos quarenta e dois deuses presentes no tribunal:
"Glória a Ti, Senhor da Verdade e da Justiça! Glória a Ti, Grande Deus, Senhor da Verdade e da Justiça! A Ti vim, meu Senhor, e a Ti me apresento para contemplar as Tuas perfeições. Porque Te conheço, conheço Teu nome e os nomes das quarenta e duas divindades que estão contigo na sala da Verdade e da Justiça, vivendo dos despojos dos pecadores e fartando-se do seu sangue, no dia em que pesam as palavras perante Osíris, o da voz justa: Duplo Espírito, Senhor da Verdade e da Justiça é o Teu nome. Em verdade eu conheço-vos, senhores da Verdade e da Justiça; trouxe-vos a verdade e destruí, por vós, a mentira. Não cometi qualquer fraude contra os homens; não atormentei as viúvas; não menti em tribunal; não sei o que é a má fé; nada fiz de proibido; não obriguei o capataz de trabalhadores a fazer diariamente mais que o trabalho devido; não fui negligente; não estive ocioso; nada fiz de abominável aos deuses; não prejudiquei o escravo perante o seu senhor; não fiz padecer de fome; não fiz chorar; não matei; não ordenei morte à traição; não defraudei ninguém; não tirei os pães do templo; não subtrai as oferendas aos deuses; não roubei nem as provisões nem as ligaduras dos mortos; não auferi lucros fraudulentos; não alterei as medidas dos cereais; não usurpei terras; não tive ganhos ilegítimos por meio de pesos do prato da balança; não tirei leite da boca dos meninos; não cacei com rede as aves divinas; não pesquei os peixes sagrados em seus tanques; não cortei a água em sua passagem; não apaguei o fogo sagrado; não violei o divino céu nas suas oferendas escolhidas; não escorracei os bois das propriedades divinas; não afastei qualquer deus ao passar. Sou puro! Sou puro! Sou puro!"
Para os egípcios, todo ser humano possuía várias almas (Ba, Akh, etc.) e um Ka, uma espécie de corpo etéreo. Quando um homem morria as suas várias almas libertavam-se e assumiam a forma de um pássaro com cabeça humana. Para os eleitos (faraós, hierofantes, nobres, etc.) acreditava-se que as almas viravam as estrelas do céu.
O Ka, entretanto, ficava próximo ao corpo, visitando-o regularmente nas tumbas mortuárias. Se o corpo fosse destruído pela decomposição, seu Ka também o seria. A idéia da mumificação está ligada a essa crença, ou seja, conservar o corpo do morto para que seu Ka continuasse intacto.
Para que o Ka, ao voltar a sepultura, não ficasse sem o corpo, eram colocadas estátuas de madeira simbolizando o morto. Além disso, era preciso mantê-lo com ofertas de alimentos, de roupas e de tudo o que pudesse servir-lhe para continuar vivendo.
MUMIFICAÇÃO
Para os egípcios, assim como hoje em dia, a morte era considerada uma coisa horrível e temível. Todos diziam quando um egípcio morria ele iria ser julgado por Anúbis, Thoth e Osíris e que ninguém deixava de entrar no além. Mas a verdade é que ninguém tinha certeza do que acontecia depois da morte. Por isso eles se enterravam com suas coisas, como bebidas, comida, objetos pessoais, etc. Os egípcios acreditavam que depois de algum tempo morto eles iriam reencarnar outra vez no mesmo corpo que usaram na vida anterior. Por isso eram tinham esse costume de mumificar pessoas, às vezes até animais. A mumificação foi criada a partir da observação da natureza. Eles perceberam que quando um corpo era deixado nas areias do deserto, ou seja num clima seco os corpos se dessecavam e sem nenhuma corrupção visível. Na mumificação os egípcios tiravam o cérebro pelo nariz. A mumificação de um rico era basicamente o seguinte: se retira o cérebro pelo nariz, e também se retira as suas víceras, além de fazerem incisão no flanco. Depois se enche o ventre de mirra e arómatas e recobrindo-o de natrão durante 70 dias. No fim, lavam o morto e envolve o morto em ligaduras de linho e se coloca alguns amuletos para ajudar o morto na sua vida após a morte. Já os pobres não tem nada disso, alguns nem caixão. Eles são enterrados na terra enrolados apenas numa pele de animal ou então numa simples esteira. O natrão é um espécie de sal que aflora naturalmente o solo. Quando é usado em um corpo desidrata esse corpo, mas não o decompõe, apenas emagrece muito o corpo. Pode se usar natrão em cristais, só que o efeito é maior.O sarcófago só era enterrava ricos porque nenhum pobre conseguia um. O sarcófago tinha a função de proteger o corpo mumificado e com suas inscrições, auxiliar o morto a ter um boa vida no além. Na parte de dentro da tampa desenhavam a deusa Nuth a deusa do céu. Os sarcófago podiam ser de cerâmica, de pedra, de madeira e até de cana. Podiam ser retangular avoíde ou na forma mais conhecida, na forma humana.
Alguns operários trocavam serviços para poderem ter seu túmulo. Como uma cavava o túmulo de qualquer um que pintasse sua tumba. Os túmulos eram construídos nos limites da cidade. Era construída uma capela com uma porta em forma de uma pequena pirâmide, onde se rezava pelo morto e dava-se oferendas para ele. Faziam a sepultura bem pequena, sob a terra. Elas tinham uma linda decoração feitas pelos melhores artesãos alguns eram enterrados ali mesmo.A sepultura era considerada a casa do morto e era dividia em 2 partes uma acessíveis aos vivos (Uma capela e um pátio a céu aberto) e outra para o morto (o túmulo, que protegia o morto de qualquer desgraça e onde se colocava o mobiliário funerário que era indispensável). Eram pintadas as cenas da vida do morto no seu túmulo, como o morto numa refeição, com suas esposas entre outras coisas.
Os Livros Funerários geralmente são feitos em papiros. Eles tem a função de fazer o morto nascer em um novo dia. É ele que ajuda o morto a ter uma eternidade tranqüila, e também de serem aceitos pelos deuses. Para isso o morto deve se lembrar de seu nome e ter um coração leal. O morto tem que enfrentar diversas ameaças, como, decapitação, alimentar-se de imundices, animais agressivos, captura em uma rede, entre outras coisas. O desejo de todo morto e não ter sua alma arrancada de seu corpo, conhecer a topografia do além e conhecer os espíritos que estão lá.
Acredita-se que os antigos egípcios foram os primeiros a praticar o embalsamamento, método pelo qual um corpo morto é preservado de forma artificial, para retardar o processo de decomposição. Os egípcios acreditavam que era necessário preservar o corpo para permitir a sobrevivência da alma. Os métodos antigos de embalsamamento incluíam imersões do cadáver em carbonato de sódio e injeções de substâncias naturais, tais como ervas balsâmicas, em suas cavidades. Depois envolviam o cadáver com bandagens criando uma múmia. Hoje, os embalsamadores utilizam substâncias químicas preparadas para preservar um corpo até o funeral e para prevenir a propagação de infecções."Múmia" vem da palavra árabe "mummiya", que significa "piche", uma substância preta, grudenta, provavelmente feita de resina de árvores, utilizada para embalsamamento. Natrão, uma mistura de sais, era usada para secar o cadáver. Durante o Renascimento, pessoas consumiam múmias moídas acreditando que tinham poder de cura. No século XVII, médicos ingleses adoravam dissecar múmias para os alunos. Às vezes esses médicos precisavam usar um formão para separar a múmia de seu envoltório.Os antigos egípcios acreditavam em magia , e que até mesmo múmias podiam ser afetadas por ela. Segundo uma cerimônia registrada no Livro dos Mortos, era possível trazer uma múmia ou estátua de volta à vida. Bastava levantar a perna de um touro na direção dela e tocar seu rosto com a lâmina de uma faca em formato de rabo de peixe.
Como fazer uma múmia:
1. Ponha o cadáver na mesa e lave-o com um preparado de zimbro.
2. Faça um corte no abdome e retire os órgãos de tecido macio, como intestinos, estômago e fígado.
3. Alcance o diafragma e retire o coração e os pulmões. Prepare-os separadamente, fora do corpo.
4. Lave o tórax e o abdome com vinho de palmeira e seque com um pano.
5. Retire os olhos usando os dedões.
6. Enfie um gancho de bronze por dentro do nariz do cadáver e gire para liquefazer o cérebro.
7. Assopre pelo ouvido para tirar os sucos cranianos através do nariz.
8. Lave a cavidade do cérebro com uma mistura líquida de ervas e temperos. Escoe o cérebro para fora do crânio, chacoalhando-o, depois inclinando o corpo.
9. Enfie dois rolos de pano impregnados com óleos perfumados nas narinas.
10. Ponha sal e outros ingredientes secantes dentro do abdome e no corpo todo. Espere dois meses ou mais para o corpo secar.
11. Encha o corpo seco com uma mistura de plantas, e ponha o coração e os pulmões de volta na cavidade do peito. A pele também pode ser recolocada se desejado.
12. Embrulhe cuidadosamente em velas de lona, panos ou qualquer material adequado. Enterre para sempre.
A mumificação era muito importante para os antigos egípcios. Eles acreditavam que a preservação do corpo garantia a passagem à vida após a morte. Se o corpo não fosse preservado, a alma não o reconheceria e os dois não poderiam se reencontrar no mundo do além.

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OS CONCEITOS DE CÉU E INFERNO NO ANTIGO EGITO
Nos 5000 anos de história egípcia que termina com os romanos em torno da época de Cristo, os conceitos religiosos mudaram muito, desde os primórdios no delta do Nilo no período neolítico. Foram 2000 anos do chamado período pré-dinástico, e os gloriosos 3000 anos do período dinástico. Dos primórdios pouco existe, mas o segundo faz dos egípcios a civilização antiga mais documentada, sofisticada e longa. É inigualável sua herança em tantas áreas do conhecimento humano. Muito conservadores, os egípcios viviam para morrer. Nasciam e amadureciam com uma visão estratégica de longo prazo. Passavam a vida se preparando para a morte. Na sua visão de morte glorificavam a vida em escritos, ilustrações e obras arquitetônicas maravilhosas. Um egiptólogo inglês, Sir Ernest Alfred Wallis Budge, contribuiu vários volumes à Egiptologia moderna. Todos são extremamente científicos. Grande parte, descrições objetivas do que observou. O céu e o inferno são abordados em "The Egyptian Heaven and Hell", publicado em Londres em 1905.
Desde os primórdios o mundo dos mortos era o "O outro mundo", "O submundo". O Tuat, lar dos espíritos abençoados e desgraçados, a escuridão, a noite. Ra, deus Sol, atravessava as trevas em um barco para raiar novamente a cada dia sem ser apagado pelas águas do firmamento. Tuat era dividido em 12 partes, ou 12 horas, incluindo dois vestíbulos. Como num palácio, um vestíbulo servia para a entrada e outro para a saída. Assim eles acomodavam a variação da duração da noite entre inverno e verão. Fisicamente Tuat não era embaixo da Terra. Ficava ao lado do vale do Nilo, num vale com um rio muito parecido.
Aos poucos os egípcios introduziram complexidades em seus mitos. Osíris passou a ser o deus do Outro Mundo, do mundo dos mortos. Logo na entrada o espírito do morto era trazido por Horus, filho de Isis e Osíris, para a cerimônia de seu julgamento. Seu coração era colocado numa balança, tendo a pena de avestruz da deusa Mâat como contrapeso. O teste era realizado por um deus chamado Anubis, e os detalhes eram anotados pelo escriba, outro deus chamado Thoth. Tudo era assistido por Osíris e Isis. Se passasse neste teste, se seus pecados fossem mais leves que a pena de Mâat, o espírito seria admitido ao reino de Osíris.
Os que passavam no teste eram aqueles que não só tinham sido corretos e íntegros durante sua vida, mas haviam também respeitado e adorado os inúmeros deuses. Não havia arrependimento ou pagamento de pecados na mitologia egípcia. O morto tinha ou não corrigido seus erros em vida, através de oferendas, sacrifícios e adorações. A pessoa reconhecia com submissão a onipotência dos deuses. Não existia purgatório.
Se o peso de sua vida fosse maior que o da pena de avestruz de Mâat, o morto ia para o inferno. Parte de Tuat, o inferno era o lugar que não podia ser visto, com abismos de escuridão e fogueiras onde ardiam os desgraçados, aterrorizados por monstros que deles se alimentavam. A cada dia novos estoques de desafortunados, corpos e almas, vinham alimentar as fogueiras e serpentes venenosas. e as facas assassinas. Inúmeros espíritos e demônios vinham cair em correntes ferventes, encontrar fedores nojentos, ser devorados por monstros com cabeças de animal.
No início do período dinástico os espíritos aprovados na prova de Mâat iam para "Sekhet-Aaru", o paraíso do fiel adorador de Osíris. O Livro Tebano dos Mortos, da 28a Dinastia, conta os 4000 anos de história de Osíris, deus dos mortos. O paraíso era como um agricultor pós-neolítico imaginaria, com campos de trigo e cevada de quase 3 metros de altura, cultivado e colhido por espíritos de 4 metros. Sekhet-Aaru ou Sekhet-hetepet, o reino celestial de Osíris, era originalmente uma cópia de uma região muito fértil do delta do Nilo, e assim foi até o fim do domínio nativo egípcio, um retângulo com campos verdes cortado por rios. Situava-se perto da antiga cidade de Mendes. E esta cidade ficava muito próxima a uma passagem que existe realmente nas montanhas. No mito, dava entrada ao vale que ficava ao lado, o Tuat. Para os egípcios, tudo que o morto esperava era encontrar seus familiares, e continuar vivendo como na terra antes da morte.
As religiões modernas devem muito dos seus infernos ao Egito. São iguais. Já o paraíso egípcio era único. Não tinha nada de celestial, divino, era o mesmo lugar que o morto tinha habitado. Para os conservadores egípcios bastava a pessoa ser correta durante a vida para continuar vivendo em felicidade. Também único era o conceito de Tuat, o Outro Mundo, que englobava todo o Mundo dos Mortos. "Sekhet-Aaru" no início era parte, mas aos poucos passou a ocupar todo o espaço de "Sekhet-hetepet". A tradução mais provável deste último termo é "Campos Elíseos". Quem passou por Paris e viu aquele enorme obelisco perto do Louvre, tem um estalo quando ouve esta expressão. Todos sabem que o obelisco foi um presente dos egípcios, e que os franceses acabaram retribuindo dando a estátua da Liberdade aos americanos, tentando executar um ato de grandeza histórica e filosófica semelhante. Imagino que o obelisco tenha alguma coisa a ver com o nome da avenida que lá chega, Avenue de Champs Elisées.
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A BATALHA ENTRE HÓRUS E SETH
Hórus já era um homem feito quando Ísis veio a ter com ele novamente, ela o ensinou a entrar em comunhão com o pai em Amentet (mundo dos mortos), e foi com Osíris que ele, Hórus, aprendeu a lutar e usar o arco e a flecha aprendeu a cavalgar e a domesticar os leões.
Certa manhã a deusa Hator, filha de Rá, veio até o Nilo e avistou Hórus se banhando. A imagem do deus fez com que ela cantasse e dançasse de excitação e toda pessoa que ela fitava imediatamente se apaixonava. Ela passou a ficar muito próxima de Hórus desde então, e ele nutria por ela o mesmo interesse. Mas ela não era a única a se apaixonar por Hórus.
Néftis à muito tempo já havia deixado Seth e este casou-se pela segunda vez com Tauret (a mais antiga deusa da fertilidade). Quando Tauret soube sobre o jovem e viril falcão de Tebas, logo foi procurá-lo para fazer dele seu marido. Seth que já não gostava de Hórus por sua descendência e por medo de que o menino-falcão viesse cobrar o trono de seu pai, ficou ainda mais furioso com a notícia de que sua esposa tivesse o procurado.
Enfurecido Seth colocou a coroa de guerra, pegou sua adaga e foi à procura de Hórus, como quem caça um javali.
E a hora chegou, mas a luta entre Seth e Hórus seria longa e angustiosa; uma briga que aparecia não ter fim, na qual um e outro infringiam tanto mal como o que recebiam do seu adversário.
E eles lutaram. Durante oitenta anos, suas facas se chocaram. Lutaram brandindo as clavas e atirando flechas. Os dois deuses emergiam do Nilo como homens, de pé sobre o dorso de crocodilos. Transformou-se em Ursos, mordendo e dando patadas, transformou-se em cobras, em feras selvagens, em asnos em falcões e leões. Transformados em hipopótamos, mergulharam nas águas claras do Nilo, apiedada, Ísis fez sua própria lança e, sem saber qual dos hipopótamos era seu filho, fincou sua arma nas costas de Hórus. Hórus precipitou-se das águas como uma pantera selvagem e correu atrás de Ísis, que fugiu como uma gazela amedrontada. Finalmente ele a apanhou, ergueu a faca e com um golpe Arrancou-lhe a cabeça.
Percebendo o que fizera, que sua cólera o traíra e que ferira Ísis mortalmente, Hórus deixou cair a arma e correu para as montanhas com a intenção de nunca mais voltar.
Toth desceu a Terra e com palavras de magia colocou uma cabeça de vaca sobre os ombros de Ísis e a ressuscitou.
Seth seguiu Hórus e o encontrou dormindo, sob o luar, debaixo de uma tamareira. Hórus acordou tarde demais, Seth já havia o agarrado. Com sua adaga que já havia rasgado Osíris, Seth arrancou os dois olhos de Hórus jogando-os ao sopé da montanha.
Hator, a deusa da festividade, da dança e da alegria encontrou seu amado Hórus deitado com a face virada para baixo. Ela começou a dançar e cantar para alegrar o deus. Quando viu que o deus-falcão estava sem os olhos, espremeu seu peito até que seu escorresse até as cavidades oculares de Hórus. O leite da deusa fez com que Hórus voltasse a ver.
Tão penoso foi o combate que entre Seth e Hórus que Toth, o deus da Lua e a divindade da ordem e a inteligência, se apiedou dos combatentes e interveio para mediar na disputa, levando a ambos perante o tribunal dos deuses e fazendo comparecer também Osíris, para que todos pudessem ouvir as razões de um e dos outros. O tribunal sentencia que, na longa e controversa vista da briga entre Seth e Hórus, que durou nada menos que oitenta anos, os direitos sucessórios de Osíris pertencem a Hórus. O filho póstumo de Osíris recuperava o que correspondia pela sua linhagem: a sucessão no trono de Egito. Assim, o filho era reconhecido pela divindade como soberano indiscutível, dentro da tradição clássica que adjudicava aos reis e aos reinos um sentido de vontade divina.
Por esta sentença, Seth perde o seu poder sobre as terras negras e férteis do Egito, voltando a reinar apenas na terra vermelha, mas ele não é castigado nem afastado do mundo; Seth passa a ser também uma divindade necessária ao ser acolhido por Rá, para que se ocupe nos céus de alternar a noite com o dia e deixe que sejam os reis os que governem sobre a terra.
Hórus, por sua vez, engendra quatro filhos: Imset (Amsiti), Hapi, Duametef (Tuemeft) e Quebsnauf (Kevsnef). Estes filhos, que acompanharão Osiris nos julgamentos aos mortos, também cuidam dos quatro pontos cardeais e se ocupam de velar pelas necessidades e pela saúde das entranhas de Osiris.
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sábado, 15 de maio de 2004
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Faraós
O Antigo Egito era governado por faraós que, além de monarcas, eram considerados deuses. Esses reis são divididos em dinastias que se sucederam nas várias épocas da história egípcia.
O Egito foi dividido em dois: o Baixo Egito, no delta do Nilo, mais poderoso e ligado ao comércio e o Alto Egito, essencialmente agrícola. Durante as primeiras dinastias, os mandatários do Baixo Egito usavam uma coroa vermelha e os do Alto Egito uma coroa branca. A coroa azul era usada como escudo de guerra.
Coroa vermelha do Baixo Egito
Coroa branca do Alto Egito
Coroa da unificação do Alto e do Baixo Egito
Coroa azul usada durante as guerras
Um dos primeiros faraós a ser desvelado para o mundo atual foi Menes (sua tumba foi descoberta em 1897).
Os monarcas casavam-se com membros da própria família real porque não queriam dividir o poder com outros clãs. Thutmose II, um faraó egípcio que viveu em 1500 a.C., casou-se com sua meia-irmã Hatshepsut. Entretanto, o faraó teve um filho, Thutmose III, com uma outra esposa; quando Thutmose II morreu o filho dele, Thutmose III se tornou faraó. Porém, Hatshepsut foi designada regente por causa da pouca idade do menino (um regente era alguém que governava para um monarca se ele não tivesse idade para o cargo).
Hatshepsut e Thutmose III governaram juntos até que Hatshepsut se declarou faraó. Vestida em trajes masculinos, Hatshepsut administrou os negócios da nação.
Thutmose III revoltou-se e tomou o trono a força, matando Hatshepsut e destruindo todos os santuários e estátuas que homenageavam a antiga governanta.
Akhenaton e sua rainha Nefertiti implantaram o monoteísmo no Egito, entre 1352 e 1336 a.C., obrigando a adoração a Aton, o deus do sol. Eles construíram grandes estátuas a Aton e ordenaram que estátuas que honrassem qualquer outro deus fossem destruídas. Após a morte do casal real, o politeísmo voltou a tona.
Tutankhamon só tinha nove anos quando se casou com a filha de Akhenaton e Nefertiti. O “rei menino” nunca se tornou um “rei adulto” porque morreu devido a uma pancada na cabeça provocada, provavelmente, por disputas pelo trono real.
Sob o domínio dos Romanos, cabe ressaltar a mais famosa rainha do Egito, Cleópatra VII
Livro dos Mortos
O Livro dos Mortos era uma coleção de feitiços, hinos e orações que pretendiam afiançar a passagem segura e curta do falecido ao outro mundo.
O pergaminho de Nevolen relata o transporte da alma até Osíris: um barco leva o esquife negro, que contém a múmia do defunto, e os canopus; Ísis está próxima à cabeça e Neftis dos pés da múmia, ambas vestidas de vermelho. Após Anúbis receber o ataúde, a alma se ergue e começa a adorar os quatros gênios do Oriente, as aves sagradas e Amon. Então, a alma é introduzida no Tribunal de Osíris.
O papiro de Nes-min mostra o que acontece com a alma após entrar no Tribunal de Osíris, o deus dos mortos, que determina o mérito do defunto para entrar na próxima vida, avaliando suas ações no plano terrestre.
O coração do defunto está sendo pesado na balança da deusa Maat, que representa a verdade e a justiça. O deus-jacal, Anúbis, da um voto a favor do defunto, restabelecendo o equilíbrio, enquanto isso, o deus-falcão, Hórus olha para o deus-íbis Thoth, o secretário dos deuses, dando o veredicto favorável para o morto.
O defunto eleva suas mãos em júbilo, acompanhado pela deusa Maat. Em sua frente está Ammit, um monstro com partes de hipopótamo, crocodilo e leão, que o teria aniquilado caso o julgamento fosse desfavorável.
Ammit
A alma do morto, ao comparecer ao Tribunal de Osíris, deveria recitar a seguinte oração para cada um dos quarenta e dois deuses presentes no tribunal:
"Glória a Ti, Senhor da Verdade e da Justiça! Glória a Ti, Grande Deus, Senhor da Verdade e da Justiça! A Ti vim, meu Senhor, e a Ti me apresento para contemplar as Tuas perfeições. Porque Te conheço, conheço Teu nome e os nomes das quarenta e duas divindades que estão contigo na sala da Verdade e da Justiça, vivendo dos despojos dos pecadores e fartando-se do seu sangue, no dia em que pesam as palavras perante Osíris, o da voz justa: Duplo Espírito, Senhor da Verdade e da Justiça é o Teu nome. Em verdade eu conheço-vos, senhores da Verdade e da Justiça; trouxe-vos a verdade e destruí, por vós, a mentira. Não cometi qualquer fraude contra os homens; não atormentei as viúvas; não menti em tribunal; não sei o que é a má fé; nada fiz de proibido; não obriguei o capataz de trabalhadores a fazer diariamente mais que o trabalho devido; não fui negligente; não estive ocioso; nada fiz de abominável aos deuses; não prejudiquei o escravo perante o seu senhor; não fiz padecer de fome; não fiz chorar; não matei; não ordenei morte à traição; não defraudei ninguém; não tirei os pães do templo; não subtrai as oferendas aos deuses; não roubei nem as provisões nem as ligaduras dos mortos; não auferi lucros fraudulentos; não alterei as medidas dos cereais; não usurpei terras; não tive ganhos ilegítimos por meio de pesos do prato da balança; não tirei leite da boca dos meninos; não cacei com rede as aves divinas; não pesquei os peixes sagrados em seus tanques; não cortei a água em sua passagem; não apaguei o fogo sagrado; não violei o divino céu nas suas oferendas escolhidas; não escorracei os bois das propriedades divinas; não afastei qualquer deus ao passar. Sou puro! Sou puro! Sou puro!"
Para os egípcios, todo ser humano possuía várias almas (Ba, Akh, etc.) e um Ka, uma espécie de corpo etéreo. Quando um homem morria as suas várias almas libertavam-se e assumiam a forma de um pássaro com cabeça humana. Para os eleitos (faraós, hierofantes, nobres, etc.) acreditava-se que as almas viravam as estrelas do céu.
O Ka, entretanto, ficava próximo ao corpo, visitando-o regularmente nas tumbas mortuárias. Se o corpo fosse destruído pela decomposição, seu Ka também o seria. A idéia da mumificação está ligada a essa crença, ou seja, conservar o corpo do morto para que seu Ka continuasse intacto.
Para que o Ka, ao voltar a sepultura, não ficasse sem o corpo, eram colocadas estátuas de madeira simbolizando o morto. Além disso, era preciso mantê-lo com ofertas de alimentos, de roupas e de tudo o que pudesse servir-lhe para continuar vivendo.
Mitologia Egípcia
Segundo a gênese egípcia, o mundo primordial era composto de um oceano primitivo (Num) e um botão de lótus, que continha Rá (deus Sol). Rá ao se libertar, iluminou todo o Caos inicial e originou seus dois filhos divinos: Chu, o deus do Ar, e Tefnet, a deusa da Umidade. Deles nasceram Gheb, deus da Terra, e Nut, deusa do Céu. Gheb e Nut tiveram quatro filhos: Osíris, Seth, Ísis e Néftis.
Num
A religião foi uma instituição dominante em todos os aspectos da vida egípcia. A princípio, foi acentuadamente politeísta; cada localidade possuía seus próprios deuses. A unificação política do país reduziu os inúmeros deuses locais a um conjunto de grandes deuses nacionais, no qual se destacam: Ptah, representado pelo boi Ápis; Hórus, filho do casal Osíris-Isis, deus do céu e tronco da monarquia faraônica; Anúbis, deus do vale dos mortos e da mumificação; Thoth, deus da escrita e do tempo; Maat deusa da justiça; Nut divindade celeste; Hathor deusa da magia e outros deuses.
A divindade mais popular era Osíris. Simboliza, muitas vezes, o próprio Nilo e seu nome estava ligado a uma lenda na qual seu irmão Seth o assassinara, reduzindo-lhe o corpo a pedaços. Recuperando a vida, graças a sua esposa Ísis, passou a habitar a morada dos deuses, onde julgava os mortais de acordo com suas ações na terra, no Tribunal de Osíris.
A tentativa de implantação do monoteísmo na religião egípcia foi feita por Amenófis IV, criando um novo culto que personificava todos os deuses em só, ATON, representado pelo disco solar. Amenófis chegou a mudar a capital (Tebas) para um nova cidade, Ikutaton - "horizontes de Aton", a fim de dominar completamente o poderoso clero tebano devotado ao antigo culto de Amon-Rá.
Com a morte prematura de Amenófis IV, a reação sacerdotal contra a nova concepção religiosa fez-se sentir bem forte. Foi restaurado o culto a Amon-Rá, sendo que o sucessor de Amenófis IV trocou o nome de Tutankaton para Tutankamon.
Anúbis
O deus com cabeça de chacal, o guardião dos mortos, é um dos deuses egípcios mais antigos. É o deus que recebe os mortos e cuida da vida no mundo espiritual.
Anúbis conduzia as almas para Osíris julgá-las. Ele era o "senhor da Terra do Silêncio do Ocidente, a Terra dos Mortos, o preparador do caminho para o outro mundo."
Hathor
É a deusa-vaca, símbolo do Céu; era representante do sexo feminino, da alegria, do amor, da fecundidade e do prazer. Contudo, foi transformada por Rá em Sekhmet que é a deusa da guerra.
Sekhmet
Hórus
Após encontrar o corpo de Osíris, Ísis tenta restituir-lhe a vida abanando suas asas sobre o marido. Nesta tentativa, a deusa é fecundada divinamente e fica grávida de Hórus.
Na maioridade, Hórus reúne os fiéis súditos de seu pai e sai à procura de seu tio Seth, assassino de seu pai. Quando se encontram, lutam por três dias e três noites. Derrotado, Seth arranca o olho esquerdo de Hórus e a Lua deixou de brilhar no Egito.
Ísis, que era irmã de Seth, pediu que Hórus poupasse a vida de seu tio mas, como resposta, teve sua cabeça decepada pela ira do filho. Thoth intervém no conflito curando Ísis e Seth, bem como, restituindo o olho perdido de Hórus. O conflito é resolvido num tribunal presidido por Thoth que durou oitenta anos.
Escaravelho de Hórus
Como sentença final, Thoth deu o Baixo Egito para Hórus e o Alto Egito para Seth. Segundo Manetho, a luta ocorreu 13.500 anos antes da 1º Dinastia do Antigo Egito.
No solstício de inverno, a imagem de Hórus, sob forma de menino recém-nascido, era retirada do santuário para ser exposta à adoração da multidão.
Era considerado idêntico e feito "da mesma substância de seu pai, Osíris". Hórus é uma divindade solitária, não possuindo uma contrapartida feminina. Assim como seu pai, estava relacionado ao juízo das almas no mundo inferior, apresentando as almas ao Juiz Divino.
Uma antiga oração para Hórus:
"Por ele o mundo é julgado naquilo que contém. O céu e a Terra encontram-se sob sua presença imediata. Governa todos os seres humanos. O Sol dá voltas segundo sua vontade. Produz abundância e a distribui por toda a Terra. Todos adoram sua beleza. Doce é seu amor em nós."
Olho de Hórus
Ísis
A deusa Virgem-Mãe; a Natureza fértil, a vida, a saúde. Irmã e esposa de Osíris, Ísis estava associada à Lua e todos os seus mistérios.
Isis podia ser representada pela ave íbis que personificava a Lua, com um lado visível e o outro oculto.
Como deusa lunar, senhora dos mistérios da natureza, Isis tinha seu rosto coberto por um véu impenetrável. Em seu templo, está escrito:
"Sou tudo o que foi, é e será, e nenhum mortal jamais retirou o véu que oculta minha divindade aos olhos humanos".
Espera-se que na Era de Aquarius este véu seja, finalmente, descoberto e assim todos os mistérios revelados.
Uma lenda relata que Ísis conhecia os mistérios da magia melhor que todos os outros deuses juntos. Entretanto, para adquirir a sabedoria máxima nessa arte ela deveria conhecer o nome secreto de Rá.
Ísis transformou um objeto de barro numa serpente venenosa. Rá, passando próximo ao animal, foi picado e a dor tão intensa que ele pediu ajuda à Ísis. A deusa prometeu ajudar Rá somente após ele fornecer seu nome sagrado.
Rá apresentou todos os seus títulos, entre eles, soberano dos homens e dos deuses, deus-Sol, rei do Egito, etc. Mas para nada adiantou, a dor continuava incessante. Sabendo que Ísis não iria ceder, ele deu à deusa seu nome sagrado. Ísis abriu o peito de Rá e arrancou seu coração apossando-se finalmente do que mais desejava. Ao pronunciar o nome oculto, a dor que Rá sentia desapareceu instantaneamente. Ísis, a partir deste momento, atingia o grau máximo na magia.
Rá
O primeiro dos deuses, criado a partir do Caos inicial (Num), ele emergiu da escuridão numa flor de lótus. Esta flor ao abrir-se, liberou toda a luminosidade de Rá, iluminando tudo o que exista. Também era conhecido como Amon-Rá, o deus Sol.
Foi um dos deuses mais cultuados no antigo Egito. Amon é considerado o Sol espiritual do mundo, cheio de mistérios e senhor do Universo.
Amon produziu-se a si mesmo, sendo, portanto, "incriado". Criou a bondade no mundo em contrapartida ao mal produzido por Seth. Este Deus criou o mundo e o mantém vivo com a chama ardente de seu calor solar.
Oração para Rá
"Senhor dos tronos da Terra… Senhor da Verdade, Pai dos deuses, Criador do Homem, Criador dos animais. Senhor da Existência, Iluminador da Terra, que navega tranqüilamente nos céus… Todos os corações se abrandam ao contemplá-lo, Soberano da vida, da saúde e da força! Adoramos teu Espírito, o único que nos criou."
Ra teve dois filhos: Chu e Tefnet. Depois que Rá ficou muito velho, deixou a coroa do Egito para seu filho, Chu, que não teve a mesma capacidade de governar do pai. Chu não tem um papel de destaque na mitologia egípcia.
Chu casou-se com sua irmã Tefnet. Eles tiveram um casal de filhos que estavam predestinados a se apaixonarem, Nut e Gheb (pais de Osíris, Ísis, Seth e Néftis).
A irmã-esposa de Chu, Tefnet, era uma pálida sombra de seu marido e, freqüentemente, era representada como uma mulher com a cabeça de um leopardo.
Tefnet
Em um mito, um dos poucos aonde ela é caracterizada, tefnet se torna um leopardo e deixa sua casa divina nos céus e dirige-se para o Egito. Lá, ela encanta a terra e bebe profundamente o sangue das pessoas; somente a esperteza de Thoth faz com que ela volte aos céus. O povo do Egito celebrava este dia em um grande festival.
Rá costumava ser representado por um disco solar entre duas serpentes ou o sol entre as asas de um falcão.
Uma lenda relata que Rá reinava num esplêndido palácio no Egito iluminando a todos com seus raios solares e, à noite, brilhava no reino das trevas (Duat). Mas com o passar dos anos, ele ficou cada vez mais velho e sua popularidade entre os seus súditos começou a declinar.
Rá indignado com os egípcios, resolveu punir a todos e convocou uma reunião na qual estavam presentes todos os deuses de seu panteão. Com medo da ira de Rá, a população fugiu para o deserto; o soberano chamou à sua presença a deusa Hathor e transformou-a em Sekhmet, deusa da guerra com cabeça de Leão, que iniciou uma matança geral no Egito.
Sekhmet ficou fora de controle e Rá, temeroso de que ela iria eliminar toda a humanidade, mandou que suas escravas preparassem uma cerveja com grãos vermelhos. A deusa da guerra pensando que fosse sangue bebeu este líquido e embriagou-se, não reconhecendo mais os homens. Dessa forma, Rá salvou a humanidade das mãos da terrível Sekhmet.
Rá, desgostoso de reinar, resolver subir aos céus e chama Nun para ajudá-lo. Nun transforma a deusa Nut numa vaca que, sustentada pelo deus do ar Chu, leva Rá para a morada dos deuses.
Rá devia combater todos os dias a serpente do mal Apópis, que representava as trevas e as tempestades; ele triunfava sempre, entretanto, nos dias em que vacilava na luta, acontecia o eclipse solar (domínio de Apópis).
Simbologia
Amuleto é o nome que se dá a uma classe de objetos empregados com o intuito de proteger o corpo humano, vivo ou morto, de influências malignas ou de inimigos visíveis e invisíveis; é um objeto que se carrega ou usa.
Existiam amuletos que possuíam inscrições de fórmulas mágicas em seu corpo e outros não. Contudo, todos os dois tipos precisavam ser "ativados" nos templos onde o sumo-sacerdote erguia o amuleto em honra ao seu deus, recitando as palavras mágicas (ou hecau).
ABUTRE
Este amuleto estava relacionado à deusa Ísis. Tinha a forma de um abutre com as asas estendidas, segurando em cada uma das garras o símbolo da vida, ankh (cruz ansata). Era colocado sobre o pescoço no dia do enterro e visava dar proteção ao falecido.
No Livro dos Mortos verifica-se a seguinte oração:
"... Ísis vem e paira sobre a cidade, e ela se põe a procurar as habitações secretas de Hórus quando ele emerge dos seus pântanos. Sua mãe, a poderosa senhora, o protege, e ela transferiu o seu poder para ele."
Cruz Ansata (ankh)
A cruz ansata é um dos hieróglifos egípcios mais conhecidos. Se assemelha à cruz Cristã, com uma volta sobre a barra transversal.
Enquanto as origens da cruz são obscuras, o seu significado está claro: "vida". Graças a esta conotação é que as deidades egípcias sempre carregam uma cruz ansata nas mãos.
A popularidade da cruz é evidente nos numerosos e variados tipos de objetos cotidianos que foram moldados usando a sua forma. A ankh era muito popular na longa história egípcia e devido a sua forma crucifórmica, permaneceu sagrada no período copta e cristão.
Degraus
Este amuleto representava a ascensão aos céus (similar ao amuleto da escada) e o trono de Osíris.
Uma lenda conta que os irmãos Nut e Gheb apaixonaram-se e seu pai, Chu, na intenção de separá-los imaginou transformar Nut na abóbada celeste e Gheb na crosta terrestre. Como Chu não era suficientemente alto para elevar Nut, ele usou os degraus para executar a sua tarefa.
No Livro dos Mortos, o defunto orava para "poder compartilhar com aquele que está no topo dos degraus", isto é, Osíris.
Escada
Acreditava-se no Antigo e Médio Império que o céu fosse uma imensa chapa retangular de ferro, sustentada por quatro pilares (os quatro pontos cardeais). O objetivo de todo egípcio, após a sua morte, era a de alcançar essa chapa, sobre a qual viviam os deuses e os mortos bem-aventurados. Segundo a crença, nos cumes das montanhas essa chapa de ferro estava tão próxima que o morto poderia facilmente acessá-la, enquanto que, em outros lugares ela estava tão distante que seria necessário uma escada para alcançá-la.
Colocava-se a escada próxima da tumba do defunto numa clara alusão à lenda de Osíris: "... Osíris tinha dificuldade em acessar o céu; então, ele recebeu de Rá uma escada e começou a sua jornada rumo à chapa de ferro; de um lado da escada postou-se Rá e do outro Hórus e Seth. Após muito esforço e graças a ajuda dos três deuses que seguraram a escada, ele conseguiu atingir a chapa de ferro e, finalmente, entrou para o panteão divino". Portanto, a idéia da escada era de proporcionar ao defunto acesso ao mundo dos deuses (céu).
No Livro dos Mortos lê-se: "Ergui uma Escada entre os deuses, e sou um ser divino entre eles. Osíris surgirá sobre vossa Escada, que Rá lhe fez, e Hórus e Seth o segurarão com firmeza pela mão".
Escaravelho
O coração do morto era retirado durante o ritual de mumificação e, em seu lugar, era colocado um amuleto em forma de escaravelho a fim de dar nova vida e existência à múmia.
O besouro usado como modelo para os amuletos era da família dos Lamelicórneos e tinha duas características especiais:
* Primeiro: eles colocavam seus ovos dentro de bolas de excremento que eram roladas até buracos; as larvas, ao nascerem, alimentavam-se desse material. Como esse tipo de besouro nascia a partir de matéria putrefada (excremento), ele também poderia dar vida ao corpo sobre o qual fosse colocado, contanto que as palavras mágicas de poder apropriadas fossem inscritas ou lidas perante o amuleto.
* Segundo: os escaravelhos costumavam voar nas horas mais quentes do dia, mostrando uma ligação muito forte entre eles e o Sol, que era a divindade máxima do Egito. Outro ponto importante é o fato do Sol "rolar" pelo céu no sentido oriente/ocidente. Logo, o escaravelho rolando sua bola de excrementos era a simbologia perfeita do Sol nascendo e morrendo no horizonte. O Sol continha os germes da vida para os egípcios, assim como, a bola dos escaravelhos continha os germes de uma nova vida (as larvas).
Dentro dos rituais de ativação do escaravelho (símbolo do nascimento) está a seguinte oração que deverá ser lida ao nascer do Sol:
"Sou Thoth, inventor e fundador dos remédios e das letras; vem a mim, ó tu que estás debaixo da terra, levanta-te para mim, ó grande espírito ..."
Escaravelho em pedra
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quarta-feira, 12 de maio de 2004
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FARAÓS
A palavra faraó deriva do egípcio Per-âa, "o grande domínio", que designa de início uma instituição real, mas acaba por tornar-se, para os próprios egípcios, um homem que os textos às vezes gozam, mas sua função é divina, herdada de Atum ou de Horus, os deuses que supostamente destinaram o rei a este cargo antes mesmo de seu nascimento. O faraó é o intermediário obrigatório entre o comum dos mortais e as divindades. Ele é a garantia, durante seu reinado, da boa gestão e da salvaguarda do mundo harmonioso criado por ocasião "da primeira vez".
Desde a 5ª dinastia os faraós usam, oficialmente, cinco denominações concentradas na apelação de "grande nome": "de Horus", "dos Deuses Mestras" (nekhbet e Uadjet), "de Horus de ouro", "de filho de Ré" (dado no coroamento) e "de rei Alto e Baixo Egito"(sempre o nome de nascença). Os dois últimos são emoldurados por um cartucho. Alguns destes nomes, notadamente os três primeiros, sofreram modificação ao longo do reinado. De uma forma geral, os reis são conhecidos do público moderno pelo seu nome de "rei do Alto e Baixo Egito".
O vizir representa, no Egito o número dois do Estado. O rei é o primeiro, sendo o Vizir, antes de tudo, seu assistente e secretário particular. Com este título, o vizir é garantia do respeito de Maát e leva no pescoço uma pequena imagem deste deus. Ele centraliza em seu escritório arquivos colossais, o que o coloca no topo de todos os ramos da administração (irrigação e impostos, transportes, polícia, justiça...). Para abater este enorme trabalho, os vizires são, em geral, dois no Novo Império: um no sul , outro no norte.
No final de seu reinado, Ramsés III reúne os dois cargos em um, beneficiando o vizir To.
Nas paredes de todos os templos, o único sacerdote oficialmente reconhecido é o rei. Na qualidade de depositário da realeza, outrora exercida pelos deuses na terra, só ele tem o direito de conservar com os deuses. Só ele está habilitado a fazer-lhes oferendas, a pedir-lhes para manter o mundo tal como foi criado, tal como é e tal como deve ser. Pois o mundo foi criado harmonioso e equilibrado. Maát representa este perfeito equilíbrio das origens e é possível , então, ver o rei que oferece sua imagem aos deuses. Ele é a oferenda por sua excelência.
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quinta-feira, 6 de maio de 2004
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A Civilização Egípcia
Uma das civilizações mais importantes da história Antiga. Desenvolveu-se na região do Crescente Fértil, mais exatamente no nordeste da África, uma região caracterizada pela existência de desertos e pela vasta planície do rio Nilo. A parte fértil do Egito é praticamente um oásis muito alongado, proveniente das aluviões depositadas pelo rio. Nas montanhas centrais africanas, onde o Nilo nasce, caem abundantes chuvas nos meses de junho a setembro provocando inundações freqüentes nas áreas mais baixas ( O “Baixo Nilo”). Com a baixa do Nilo o solo libera o humo, fertilizante natural que possibilita o incremento da agricultura. Para controlar as enchentes e aproveitar as áreas fertilizadas, os egípcios tiveram de realizar grandes obras de drenagem e de irrigação, com a construção de açudes e de canais , o que permitiu a obtenção de várias colheitas anuais.
Dada esta característica natural, o historiador grego Heródoto de halicarnasso dizia que “O Egito é uma dádiva do Nilo”. Leitura preconceituosa, que tende a desprezar o empenho, o denodo e a competência técnica da civilização egípcia que aprendeu a utilizar as cheias e vazantes do rio a seu favor.
O Egito, inicialmente, estava dividido num grande número de pequenas comunidades independentes: os nomos que por sua vez eram liderados pelos nomarcas. Essas comunidades uniram-se e formaram dois reinos: o Alto e o Baixo Egito. Por volta de 3200 a.C., o rei do Alto Egito, Menés, unificou os dois reinos. Com ele nasceu o Estado egípcio unificado, que se fortaleceu durante seu governo com a construção de grandes obras hidráulicas, em atendimento aos interesses agrícolas da população. Menés tornou-se o primeiro faraó e criou a primeira dinastia.
Os egípcios adoravam o faraó como a um Deus, a quem pertenciam todas as terras do país e para quem todos deveriam pagar tributos e prestar serviços, característica típica do Modo de Produção Asiático. O governo do faraó era uma monarquia teocrática, ou seja, uma monarquia considerada de origem divina. Como chefe político de um Estado poderoso, o faraó tinha imenso poder sobre tudo e sobre todos. Na prática era obrigado a obedecer às leis, muitas das quais haviam sido criadas séculos antes da unificação dos nomos, o que limitava em parte os seus poderes.
:: Enviado por HaTsEpSuT- 00:11:58 ::
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